reportagem do fantástico sobre motos

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Criamangostas
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Criamangostas »

Robson escreveu:

E um pouco do que acontece com acidentados de moto:

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010 ... rasil.html
A pesquisa acompanhou 84 pacientes que foram internados no Hospital das Clínicas de São Paulo entre maio e novembro do ano passado. Esses pacientes foram acompanhados durante seis meses. O resultado é um retrato assustador do impacto desses acidentes sobre a sociedade. Em custos hospitalares, no prejuízo provocado por esses jovens que deixam o mercado de trabalho e no efeito devastador para as vítimas e suas famílias.

“Abalou psicologicamente tudo. Minha esposa, meus filhos, tudo, tudo, família. Por que, como cuidar de uma pessoa que vai chegar em casa deficiente?”, desabafa Danilo Américo. Ele ia no corredor entre os carros. Um deles fechou o espaço. “Já caí no chão sem o pé, totalmente, não tenho nem palavras para dizer o fato”. O pé foi decepado. Trinta dias no hospital. Cinco cirurgias. Uma delas reimplantou o pé.

“Foi pesado, você ver a tua vida, a vida dos teus filhos se desestruturarem em fração de segundos. É muito difícil, você não sabe o que vai fazer, não sabe como vai ser o teu amanhã, você não tem como planejar o teu amanhã, o amanhã dos teus filhos. É doloroso”, conta a mulher de Danilo.
Caramba, teve um que se acidentou 5 vezes, e com certeza não é o único. Tem gente que não aprende mesmo.
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williampk3d
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por williampk3d »

digo mais, dpvat deveria ser de acordo com o seu estado, não é justo um estado que tem 1000 acidentes de motos por ano ter o mesmo preço de um estado que tem 150,000 acidentes por ano.
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Pretti
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Pretti »

Jota escreveu:
Bagé escreveu:
Smoker escreveu:
Jota escreveu:smoker, acho que não me fiz entender. não se trata de números, mas de idéias. a idéia é o estado não se intrometer. se vc acha que o estado deve se intrometer pra que não haja custos desnecessários, talvez ele possa também lhe solicitar um exame de colesterol 2x por ano, regular a quantidade de picanha e torresmo que vc irá consumir, vigiará se vc está fazendo exercícios físicos 4x por semana e conferirá seu IMC todos os anos. é a idéia do estado interferindo que me incomoda, percebe? nada a ver com números, pq se a questão fosse números, o certo seria o estado cuidar do modo que eu lhe disse no parágrafo anterior, já que as questões cardiovasculares são as que mais oneram, são as responsáveis pelo maior número de mortes, etc.
Cara, na boa, tem horas que é complicado conversar contigo, tem hora que números e estatísticas são importantes em seus argumentos, mas de uma hora para outra não se fazem mais necessários. rsrsrsrsr.
Número e estatístis não devem ser considerados quando é uma questão de escolha individual que só vai afetar a ti e nada mais, entendeu smoker? Tipo assim, obrigar o peão a usar agasalho no frio pq ele pode pegar uma gripe e o sus tem que tratar, sacou? O estado não pode se intrometer na individualidade, só isso, capit :wink:
.
é por aí minha idéia.

penso que, idealmente, o estado não deve intervir.

mas por outro lado, um fato concreto: a propaganda liberada de cerveja, martelando o tempo todo naTV, mesmo durante o dia, incluindo patrocínio principal de atividades esportivas.

isso é foda, pq uma criança, que ficou exposta a massivas propagandas sobre álcool, dezenas de vezes ao dia, todos os meses, todos os anos, até completar 18 anos. Talvez, em alguns casos, ela tenha sido mais exposta a esse tipo específico de propaganda que a estudo.

pensando em quanto tempo ela foi programada para beber, fica difícil falar em liberdade de escolha. especialmente pq as crianças foram feitas pra absorver 'conhecimento', então imagino como fica complicado se livrar dessa merda.

Por outro lado, se a gente fosse trabalhar só com custos para o Estado, teríamos que proibir os rodízios, já que eles oneram de modo gigante o sistema público de saúde.

Além disso, teríamos que tornar obrigatório o uso de capacetes para todos os carros em estradas e para os que não têm abs inclusive nas cidades.

É uma questão de moral imperativa (kant e colegas) x moral utilitária (stuart mill e colegas).
Entendo seu ponto de vista, mas as razões apreentadas pelo smoker e saurus são muito boas também.
Ao final, caminharemos para uma escolha entre duas racionalidades tal qual vc está sugerindo. Cada sociedade,praticamente cada federação desse planeta, elege uma filosofia; melhor ainda seria dizer que o Ocidente moderno quase como um todo "elege" uma moral.
Editado pela última vez por Pretti em 16 Jan 2012, 15:59, em um total de 1 vez.
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b0fh
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por b0fh »

pretti escreveu:Cheguei direto à página 4 e fico grato ao naipe das informações que podemos aprender no m@d.
Confesso que não tenho um juízo formado à respeito da questão e que se por um lado, a questão da interferência do estado me incomoda muito, há argumentos concretos de sobra (e custosos $$) para por freios a essa bandalheira, com uma série de proibições e regras.

Meu receio ao tomarmos medidas duras pela sociedade, pelo indivíduo, é a coisa se voltar contra nós mesmos... medo do Grande Irmão. :md:
muito pior... no caso é o Grande Mano Mulambento de merda :lol:
-
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Medeiros Neto
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Medeiros Neto »

A reportagem mostrou o que infelizmente acontece na maioria das cidades do interior do meu Nordeste. Boa parte dos que ali estavam são pessoas sem acesso a nenhum lazer, e escolhem a bebida alcoolica todo final de semana como diversão. As motos sendo conduzidas nessas condições fica uma combinação bem perigosa.

Não estamos livres do que foi mostrado na reportagem(acidentes acontecem, e com motos sempre é pior), mas beber o dia todo e depois viajar a noite cerca de 80kms é coisa de louco.
Abraços Gente Boa !!! :beer:


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minholi
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por minholi »

MarceloW escreveu:Só uma pergunta: por que eu e muitos motociclistas gastam alguns milhares de reais com equipamentos e outros não?
Nem sempre é por segurança. Conheço muita gente que nem anda de moto direito mas compra equipamento por marca, sendo que as vezes acaba pagando caro por algo que não é superior.

Só pra dar um exemplo, um capacete LS2 de R$ 300,00 é tão bom quanto, e se bobear até melhor, que um AGV K3 de R$ 1.200,00.

Mas o caso é que falta fiscalização, só isso. É melhor um casco de R$ 50,00 do que nenhum, e é muito fácil de fiscalizar isso. O povo não tem educação, ética e moral para assegurar a sua própria segurança. Somos um país de marginais (pessoas que vivem a margem das leis e de tudo mais).
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por MarceloW »

minholi escreveu:
MarceloW escreveu:Só uma pergunta: por que eu e muitos motociclistas gastam alguns milhares de reais com equipamentos e outros não?
Nem sempre é por segurança. Conheço muita gente que nem anda de moto direito mas compra equipamento por marca, sendo que as vezes acaba pagando caro por algo que não é superior.
Que seja.
300 do capacete 1/2 boca que você citou, 400 de uma boa bota de couro, 300 de uma boa luva de couro, 500 de uma jaqueta de cordura.
Pronto, já deu quase 2 paus.
Marcelo W- São Paulo - Capital - Morumbi
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Fredericow
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Fredericow »

no caso mostrado na reportagem, o maior obstáculo é a falta de informação e a deficiência educacional. Um dos entrevistados relata que não conseguiu obter a carteira de motorista por conta de dificuldade de leitura.
O cara não sabe ler, não tem a mínima noção de trânsito, não vai ao médico para saber se tem algum problema de saúde e se está enxergando corretamente, toma cachaça, na moto não é feita nenhuma manutenção... Quanto mais carente é a região, mais elementos desse tipo são adicionados ao trânsito local.
E não são só motos, aquele fusca que era do pai ou até do avô nosso há trocentos anos atrás, continua rodando em algum do pais, sem a devida manutenção, com o condutor bêbado no final de semana.
A ignorância é o maior obstáculo, nisso o governo deveria intervir e investir. Depois do mal feito tentar resolver com polícia e detran é mais difícil, ainda mais no interior do nordeste. Se o policial rodoviário federal começar a prender todas as motos, em uma semana algum malacabado vai passar fogo nele em troca de uma garrafa de pinga.
O uso de capacete em moto é inquestionável, já outros equipamentos de segurança eu julgo que devem ser utilizados de acordo com o local que irá trafegar, não tem lógica usar jaqueta, calça, bota e luvas para ir até a praia, num trajeto curto, urbano e de baixa velocidade. Da mesma forma que em rodovias não se deve ir sem possuir o maior número desses equipamentos de proteção.
O cara só terá noção do risco que corre ou que oferece aos demais se tiver instrução. Fora isso irá se comportar como uma criança, irá testar todos os limites até ser penalizada de alguma forma. Mas nem disso as pessoas que apareceram na reportagem tem noção. E não são casos isolados do nordeste, em qualquer cidade interior ocorre algo parecido.
honda sh150i
Rauber
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Rauber »

falou-se em "falta de informação".... "cultura"...

O CARALHO !

é empírico e instintivo que se bater a cabeça no chão....... o diabo se machuca PORRA !!

pq num lugar a fiscalização é ridicularmente rígida e em outros é festa ??

pq tem lugar que não precisa "conscientizar" $$$ ?



minholi escreveu:Só pra dar um exemplo, um capacete LS2 de R$ 300,00 é tão bom quanto, e se bobear até melhor, que um AGV K3 de R$ 1.200,00.
não minholi... não é... anda 1 hora a 120 km/h com um e depois com outro e depois vem contar oque já sabemos...

agora, se vc falar que "depende do uso"... aí sim...




Jota escreveu:Sobre as famílias, não é problema do Estado.
Sobre os capacetes, usa quem quer, mas se acidentou sem capacete, perdeu o direito de atendimento por conta do Estado, tem que ter seu plano particular.
;-)




Véio escreveu:caixa preta para as motos
Mussoi, com todo o "carinho" possível... não viaja :frt:





Rod escreveu:Pra mim é seleção natural!
fato!

mas desde que depois não venham de mimimi na tv que não foram atendidos,
que estão sofrendo de depressão,
que não podem trabalhar
e que querem pensão
e querem uma casa do gugu... :bomb:





saudações
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Szk
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Szk »

Pode parecer um problema restrito a alguns bêbados irresponsáveis, pode parecer restrito ao sertão nordestino, mas não se iludam.

As consequências para todos os motociclistas, até mesmo para os conscientes e respeitadores da lei, estão logo aí e não vão se limitar ao aumento (mais ainda) do DPVAT, ou projetos esdrúxulos como proibição de garupa, placas dianteiras etc.

Pra quem ainda não viu, estes 3 filmes foram produzidos pelo governo de PE:
http://www.youtube.com/watch?v=ST7Y_YjV ... ature=plcp
http://www.youtube.com/watch?v=zIUCOe0F ... ature=plcp
http://www.youtube.com/watch?v=YtRYw-bz ... ature=plcp

Mais importante que ver os filmes, leiam os comentários postados pelo público (não-motociclistas). É uma visão completamente diferente do que costumamos ver no nosso gueto M@Diano. Cada vez mais a sociedade vê a moto e os motoqueiros ("motociclistas"? Para o leigo é a mesma coisa) como uma ameaça.

Acredite quem quiser, mas já entramos na mira da imprensa e do poder público (além da mira dos bandidos), e vem mais chumbo grosso por aí.
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haru
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por haru »

Szk escreveu:(...) os motoqueiros ("motociclistas"? Para o leigo é a mesma coisa) (...)
Pra mim tbm! ;-)
Na garagem: procurando um citycom... Achei, quebrou, parou e vim de guincho.

Se foram:
G650GS 11/11
Lander 11/11
Fazer250 06/06
F650GS Dakar 05/05
Bandit1200N 07/07
Intruder125 08/09
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Pretti
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Pretti »

Em 2008 foi proposta essa ação, que se não estou enganado, atualmente ainda se encontra em instâncias superiores, em Brasília. Portanto o site para consultas pode ser outro, bem como o número do processo... vou verificar depois.


Ação Civil Pública contra o DPVAT

Por iniciativa do advogado e deputado estadual Délio Malheiros, a Associação Brasileira de Consumidores ajuíza na Justiça Federal em Belo Horizonte, Ação Civil Pública contra o aumento de 38,2% no DPVAT para motocicletas. De 2007 para 2008, o Seguro Obrigatório, como é mais conhecido, subiu de R$ 183,84 para R$ 254,16. Em cinco anos, o reajuste foi de 192%. O objetivo da ação judicial é anular o último aumento, com base em quatro fundamentos.

O primeiro deles contesta a justificava de entidades como Susep e Fenaseg ao afirmarem que tal reajuste é necessário diante do aumento de indenizações a vítimas de acidentes com motocicletas nos últimos anos. Cruzando as estatísticas de indenizações e de aumento da frota de motos com os reajustes do DPVAT desde 2003, Délio Malheiros verificou que, ao determinar os valores do Seguro Obrigatório, a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça simplesmente ignora que a frota de motos e motonetas cresceu quase 85,15% no mesmo período. "Já levando em conta este último reajuste, o Seguro Obrigatório para motos, que em 2004 era de R$ 87,27, aumentou 190%, mesmo percentual das indenizações para vítimas de acidentes motociclísticos considerando os dados a partir de 2003, que são utilizados para o cálculo do seguro no ano seguinte. Só esqueceram de considerar que a frota quase dobrou neste mesmo período, dobrando também o número de pessoas que pagam o seguro e, conseqüentemente, a arrecadação", denuncia Malheiros.

Além da divergência com o crescimento da arrecadação, a Ação Civil Pública que será ajuizada nesta quarta-feira também argumenta que o aumento do DPVAT não poderia ter sido determinado por resolução do Conselho Nacional dos Seguros Privados, subordinado à Superintendência de Seguros Privados (Susep), mas, sim, por lei aprovada no Congresso. Tanto a União quanto as empresas seguradoras têm interesse direto no reajuste, pois, juntas, ficam com a maior parte da arrecadação. "Isso fere o princípio da legalidade e da razoabilidade.

É inadmissível que o Governo Federal e as próprias entidades e empresas que ficam com boa parte do dinheiro decidam juntos qual será o reajuste do DPVAT", reclama Délio Malheiros. "As seguradoras recebem até 35% do montante para pagar as indenizações, mas apenas 12% são utilizados de fato para esta finalidade.

A maior parte fica no meio do caminho para pagar as corretoras", revela o deputado. Empresas seguradoras e suas entidades representativas, como a Federação Nacional das Empresas se Seguros Privados e Capitalização (Fenaseg), recebem mais 15% de toda a arrecadação.

Dinheiro é retido pela União

A maior fatia do bolo do DPVAT, 45%, vai para a União. Por lei, os recursos deveriam ser destinados exclusivamente ao Sistema Único de Saúde. No entanto, o dinheiro vai para o caixa único do governo, assim como os 5% destinados ao Denatran, que deveriam ser integralmente utilizados em campanhas educativas e de prevenção de acidentes, mas não são, infringindo a Constituição. Dados confirmados pelo próprio Denatran atestam que, entre 1998 e 2005, apenas 40% destes recursos foram efetivamente aplicados em campanhas. "O restante ficou retido nos cofres federais", conclui Délio Malheiros.

O advogado, que há vários anos vem lutando contra altas abusivas no DPVAT, também indaga por que o valor do seguro é fixado a partir de uma simples resolução enquanto cada aumento de indenização necessita de uma lei. "É por esse e outros motivos que, nos últimos quatro anos, o Seguro Obrigatório foi reajustado em 112%, enquanto as indenizações permanecem praticamente sem aumento, pois toda alteração neste sentido depende do Congresso", diz.

Contra a existência do DPVAT

Apesar de a Ação Civil Pública contestar unicamente o reajuste de 38,2% no Seguro Obrigatório para motocicletas, Délio Malheiros questiona a própria existência do DPVAT. "Saúde é dever do Estado, de acordo com a Constituição.

Impor uma taxa específica para cobrir os gastos com atendimento médico é cobrar duas vezes do contribuinte". Ele compara: "Não existe, por exemplo, um seguro obrigatório para o trabalhador rural, que também sofre muitos acidentes e é atendido pelo sistema público. Se a parcela destinada ao SUS fosse retirada, o Seguro Obrigatório cairia quase pela metade. E possivelmente não afetaria a qualidade do atendimento, que é ruim, pois o dinheiro vai para o caixa único, não para os hospitais de pronto socorro", lembra Malheiros.

A Ação Civil Pública com pedido de liminar ajuizada na última quarta-feira, por iniciativa de Delio Malheiros, está nas mãos do juiz Rodrigo de Godoy Mendes, da 7ª Vara Federal. Na sexta-feira, 18 ? apenas dois dias após a distribuição da ação ?, o juiz determinou que, em 72 horas após a intimação, a União se pronuncie a respeito dos fundamentos apresentados pela entidade com o intuito de anular o reajuste de 38,2% no DPVAT para motocicletas.

Por se tratar de um pedido de liminar, a intimação deve ser feita rapidamente, "provavelmente até esta terça-feira", diz Malheiros. Dependendo da decisão do juiz, se for concedida, a liminar poderá ser válida para todo o Brasil.

O número do processo é: 2008.38.00.001922-9

Para acompanhar o andamento do processo, basta acessar: http://processual.trf1.gov.br/ e digitar o número do processo.
MarceloW
Motociclista
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por MarceloW »

Invalidez por acidente de trânsito dispara

Maior parte dos casos é de jovens em idade economicamente produtiva; gasto previdenciário chega a R$ 8,6 bi

ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
PAULO MUZZOLON
EDITOR-ADJUNTO DE “MERCADO”

Casos de invalidez permanente de vítimas do trânsito se multiplicaram por quase 5 de 2005 a 2010


"Sempre fui dinâmica, independente. Agora, não consigo trabalhar."

Desde que sofreu um acidente com moto, há um ano, Carlita Tarsiana Carvalho, 28, está afastada pelo INSS. Ela torce para recuperar os movimentos do braço esquerdo, hoje totalmente paralisado.

"Já passei por cirurgia, mas não obtive resultado algum", diz ela, que trabalhava em um supermercado, repondo mercadorias nas prateleiras.

A história de Carlita representa uma situação cada vez mais comum. Casos de invalidez permanente entre vítimas de acidentes de trânsito se multiplicaram por quase cinco entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil por ano.

Nos primeiros nove meses de 2011, houve novo aumento de 52%, para 166 mil, segundo números do Dpvat, seguro obrigatório pago por proprietários de automóveis.

Os dados revelam que a maioria dos acidentados

-mais de 70% dos casos em 2011- usava moto e está em plena idade economicamente ativa (entre 18 e 44 anos).

O quadro preocupa a Previdência Social, que teme ter de arcar com os custos de uma geração de jovens aposentados por invalidez.

"O que mais tem crescido é a concessão de aposentadoria por invalidez devido a acidentes com motos", diz Leonardo Rolim, secretário de Políticas de Previdência.

"Há trabalhadores que só contribuíram [à Previdência] por cinco anos, mas que vão receber aposentadoria por invalidez pelo resto da vida."

Projeções apontam que o INSS gastou R$ 8,6 bilhões com benefícios gerados por acidentes de trânsito. A cifra representa 3,1% de todas as despesas previdenciárias.

PREJUÍZO ECONÔMICO

O Dpvat classifica os casos de invalidez como leves, moderados e graves.

O INSS considera que há situações em que, depois de um período de tratamento, o beneficiário pode voltar a trabalhar, ainda que em outra função. Mas, segundo especialistas, crescem os casos em que o trabalhador acaba tendo de se aposentar.

Antônio Carlos de Souza, 49, acha que dificilmente voltará a ser motorista: "Não consigo subir escada ou dirigir, e já estou afastado há mais de três anos".

Souza dirigia o carro da empresa onde trabalha numa tarde de dezembro de 2008 quando uma Kombi o atingiu. Após o acidente em estrada entre Jundiaí e Campinas (SP), ficou com uma perna mais curta do que a outra.

Segundo Ricardo Xavier, diretor-presidente da Seguradora Líder, que administra o Dpvat, o forte aumento da frota de carros e principalmente de motos nos últimos anos explica a explosão dos casos de invalidez.

"Qualquer acidente de moto pode gerar invalidez porque o motorista é mais vulnerável", afirma Xavier.

De 2001 a 2011, as vendas de motos quase triplicaram, chegando a 1,94 milhão no ano passado. Em 2011, as vendas de carros atingiram 2,65 milhões de unidades, pouco mais que o dobro das de 2001.

O engenheiro e sociólogo Eduardo Vasconcellos diz que a explosão dos casos de invalidez gerados por acidentes com moto representa um prejuízo para os acidentados e para a economia do país.

Ele diz que o cenário de acidentes com motos tende a piorar ainda mais nos próximos anos. "Existe um grande desafio que é o que fazer com as motocicletas."

A preocupação com o problema levou a Previdência a reivindicar participação no Contran (Conselho Nacional de Trânsito) para participar da discussão e da elaboração das políticas de trânsito.

Gastos com benefícios devidos a acidentes de trânsito tendem a aumentar devido à falta de programas de reabilitação.

O problema é a escassez de estrutura e de peritos do INSS, diz o advogado Theodoro Vicente Agostinho, sócio do Raeffray Brugioni Advogados e integrante da Comissão de Seguridade Social da OAB-SP.

"A reabilitação existe na lei. Na prática, vemos muito pouco isso", afirma.

Essa escassez impede o censo da invalidez -convocação dos aposentados por invalidez, prevista em lei, para nova perícia que avalie se têm condições de retornar ao trabalho.

"Se for constatado que o retorno ao trabalho é possível, o benefício pode ser cancelado", diz.

O secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim, reconhece que a reabilitação está defasada, mas afirma que o INSS está estudando a reestruturação do sistema.

Segundo ele, há um projeto-piloto em São João da Boa Vista (SP), em parceria com o Senai, que vem apresentando bons resultados. "O INSS paga próteses, quando necessário, e a reabilitação é feita pelo Senai", diz. A expectativa é levar esse sistema de parcerias para todo o país.

"A reabilitação tem ser rápida, para que o trabalhador possa retornar o mais rápido possível ao mercado", afirma Rolim.

O segundo passo é a realização do censo. Hoje, cerca de 3 milhões de beneficiários recebem a aposentadoria por invalidez.

Em tese, todos deveriam passar por uma nova perícia médica.
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Saurus
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Saurus »

MarceloW escreveu:Invalidez por acidente de trânsito dispara

Maior parte dos casos é de jovens em idade economicamente produtiva; gasto previdenciário chega a R$ 8,6 bi

ÉRICA FRAGA
DE SÃO PAULO
PAULO MUZZOLON
EDITOR-ADJUNTO DE “MERCADO”

Casos de invalidez permanente de vítimas do trânsito se multiplicaram por quase 5 de 2005 a 2010


"Sempre fui dinâmica, independente. Agora, não consigo trabalhar."

Desde que sofreu um acidente com moto, há um ano, Carlita Tarsiana Carvalho, 28, está afastada pelo INSS. Ela torce para recuperar os movimentos do braço esquerdo, hoje totalmente paralisado.

"Já passei por cirurgia, mas não obtive resultado algum", diz ela, que trabalhava em um supermercado, repondo mercadorias nas prateleiras.

A história de Carlita representa uma situação cada vez mais comum. Casos de invalidez permanente entre vítimas de acidentes de trânsito se multiplicaram por quase cinco entre 2005 e 2010, passando de 31 mil para 152 mil por ano.

Nos primeiros nove meses de 2011, houve novo aumento de 52%, para 166 mil, segundo números do Dpvat, seguro obrigatório pago por proprietários de automóveis.

Os dados revelam que a maioria dos acidentados

-mais de 70% dos casos em 2011- usava moto e está em plena idade economicamente ativa (entre 18 e 44 anos).

O quadro preocupa a Previdência Social, que teme ter de arcar com os custos de uma geração de jovens aposentados por invalidez.

"O que mais tem crescido é a concessão de aposentadoria por invalidez devido a acidentes com motos", diz Leonardo Rolim, secretário de Políticas de Previdência.

"Há trabalhadores que só contribuíram [à Previdência] por cinco anos, mas que vão receber aposentadoria por invalidez pelo resto da vida."

Projeções apontam que o INSS gastou R$ 8,6 bilhões com benefícios gerados por acidentes de trânsito. A cifra representa 3,1% de todas as despesas previdenciárias.

PREJUÍZO ECONÔMICO

O Dpvat classifica os casos de invalidez como leves, moderados e graves.

O INSS considera que há situações em que, depois de um período de tratamento, o beneficiário pode voltar a trabalhar, ainda que em outra função. Mas, segundo especialistas, crescem os casos em que o trabalhador acaba tendo de se aposentar.

Antônio Carlos de Souza, 49, acha que dificilmente voltará a ser motorista: "Não consigo subir escada ou dirigir, e já estou afastado há mais de três anos".

Souza dirigia o carro da empresa onde trabalha numa tarde de dezembro de 2008 quando uma Kombi o atingiu. Após o acidente em estrada entre Jundiaí e Campinas (SP), ficou com uma perna mais curta do que a outra.

Segundo Ricardo Xavier, diretor-presidente da Seguradora Líder, que administra o Dpvat, o forte aumento da frota de carros e principalmente de motos nos últimos anos explica a explosão dos casos de invalidez.

"Qualquer acidente de moto pode gerar invalidez porque o motorista é mais vulnerável", afirma Xavier.

De 2001 a 2011, as vendas de motos quase triplicaram, chegando a 1,94 milhão no ano passado. Em 2011, as vendas de carros atingiram 2,65 milhões de unidades, pouco mais que o dobro das de 2001.

O engenheiro e sociólogo Eduardo Vasconcellos diz que a explosão dos casos de invalidez gerados por acidentes com moto representa um prejuízo para os acidentados e para a economia do país.

Ele diz que o cenário de acidentes com motos tende a piorar ainda mais nos próximos anos. "Existe um grande desafio que é o que fazer com as motocicletas."

A preocupação com o problema levou a Previdência a reivindicar participação no Contran (Conselho Nacional de Trânsito) para participar da discussão e da elaboração das políticas de trânsito.

Gastos com benefícios devidos a acidentes de trânsito tendem a aumentar devido à falta de programas de reabilitação.

O problema é a escassez de estrutura e de peritos do INSS, diz o advogado Theodoro Vicente Agostinho, sócio do Raeffray Brugioni Advogados e integrante da Comissão de Seguridade Social da OAB-SP.

"A reabilitação existe na lei. Na prática, vemos muito pouco isso", afirma.

Essa escassez impede o censo da invalidez -convocação dos aposentados por invalidez, prevista em lei, para nova perícia que avalie se têm condições de retornar ao trabalho.

"Se for constatado que o retorno ao trabalho é possível, o benefício pode ser cancelado", diz.

O secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim, reconhece que a reabilitação está defasada, mas afirma que o INSS está estudando a reestruturação do sistema.

Segundo ele, há um projeto-piloto em São João da Boa Vista (SP), em parceria com o Senai, que vem apresentando bons resultados. "O INSS paga próteses, quando necessário, e a reabilitação é feita pelo Senai", diz. A expectativa é levar esse sistema de parcerias para todo o país.

"A reabilitação tem ser rápida, para que o trabalhador possa retornar o mais rápido possível ao mercado", afirma Rolim.

O segundo passo é a realização do censo. Hoje, cerca de 3 milhões de beneficiários recebem a aposentadoria por invalidez.

Em tese, todos deveriam passar por uma nova perícia médica.
Mas é exatamente o que venho dizendo. Os aumento do número de acidentes gera aumento no númeor de pensões por invalidez e por morte, onerando os cofres públicos (difícil saber qual o fardo mais pesado: os corruptos ou os que ganham sem produzir). Então o governo vem cobrar a conta de mim como contribuinte compulsório.

Ademais, também já disse várias vezes que 80% dos que estão conduzindo algum veículo, não poderiam estar guiando nem carrinho de supermercado. Também acrescento que guiar motocicletas não é para qualquer um, não é qualquer um que tem, ao mesmo tempo, habilidade, responsabilidade, maturidade e consciência para guiar uma moto.

Quanto à parte que destaquei, só prova outra coisa que venho dizendo: O PROBLEMA NÃO SÃO AS MOTOCICLETAS, MAS SIM OS CONDUTORES DE MOTOCICLETAS. Esse bosta também só enxerga a motocicleta e não o verdadeiro problema.
Nihil ego fecit. Sic erat cvm ego ad hic.
Ad corniger omnes poena parva est.
Timet farcimen canis icti per serpens.
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Valdicreidison Letisgô »

casa do gugu é foda, kkkkkk
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motociclista-sjc
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por motociclista-sjc »

Acho que o cara que enche a cara de cachaça e resolver rodar sem capacete deveria arcar com as despesas médicas e assumir os riscos da invalidez por conta própria. Ocorre o contrário, o estorvo vira um peso para o contribuinte, não é a tôa que estamos aí. No tocante às motocicletas no nordeste entrou em foco para endossar o abusivo DPVAT. Em função da irracionalidade de alguns usuários da motocicleta a grande parte arca com um alto preço. Espero nunca fazer número nas estatísticas.
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por MarceloW »

Saurus escreveu: Também acrescento que guiar motocicletas não é para qualquer um, não é qualquer um que tem, ao mesmo tempo, habilidade, responsabilidade, maturidade e consciência para guiar uma.
;-) ;-) ;-)
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Baeta
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Baeta »

virou festa. Hoje na cbn, vindo trabalhar, durante uns 10 minutos se falou do alto indice de acidentes envolvendo motos e os custos altíssimos para o estado e bla bla bla. Mas educar que é bom, ninguém quer. Aquele lixo de exame de "rua" e curso de legislação, que é muito caro e não ensina nada, ninguém quer mudar.
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minholi
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reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por minholi »

Rauber escreveu:
minholi escreveu:Só pra dar um exemplo, um capacete LS2 de R$ 300,00 é tão bom quanto, e se bobear até melhor, que um AGV K3 de R$ 1.200,00.
não minholi... não é... anda 1 hora a 120 km/h com um e depois com outro e depois vem contar oque já sabemos...
O LS2 é mais silencioso. ;-)
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Re: reportagem do fantástico sobre motos

Mensagem por Pretti »

Baeta escreveu:virou festa. Hoje na cbn, vindo trabalhar, durante uns 10 minutos se falou do alto indice de acidentes envolvendo motos e os custos altíssimos para o estado e bla bla bla. Mas educar que é bom, ninguém quer. Aquele lixo de exame de "rua" e curso de legislação, que é muito caro e não ensina nada, ninguém quer mudar.
Aliás, esta sim é uma mudança necessária.
Os motoristas brasileiros estão entre os piores do mundo, por falta de perícia (competência técnica mesmo para conduzir um veículo de quatro rodas), isto é, entrar num cruzamento, sair de uma estrada, entrar para o acostamento e uma inifinidade de situações cotidanas! :x

Eu acho que tem que tirar todo mundo da rua para exame de requalificação decente, depois de modificada toda a estrutura dos Centros de Fomação de Condutores.

Esse país, tal como está, é uma vergonha! >:-P
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