Arisca e com visual inusitado, KTM 690 SMR impressiona pela potência
Antes de entrar na pista de testes da Pirelli, em Sumaré (SP), para experimentar a KTM 690 SMR estranhamos as primeiras recomendações: "Cuidado, ela freia demais" e "Se acelerar muito, a roda da frente sai do chão". Foram tantas as advertências, que nas primeiras voltas a cautela venceu nas freadas e nas acelerações sem muito ímpeto. Mas com a pista livre e essa supermoto equipada com o potente motor LC4 da marca austríaca, a curiosidade voltou a ser instigada. Na reta, era hora de conferir o que o propulsor de um cilindro, 653,7 cm³ de capacidade, quatro válvulas e comando simples no cabeçote com refrigeração líquida, tinha para oferecer. A resposta veio com o conta-giros de leitura analógica crescendo rapidamente para os padrões de um monocilíndrico e pedindo outras marchas. O câmbio de seis marchas com vocação esportiva permitia aproveitar toda a força do motor e, no final da curta reta, o mostrador digital indicava: 173 km/h.

Originário das vitoriosas KTMs no Rali Dakar, o motor LC4 produz 63 cv de potência máxima (a 7.500 rpm) -- número bastante impressionante para um monocilíndrico dessa capacidade cúbica. Só para se ter uma idéia, o motor de um cilindro da Yamaha XT 660R produz 48 cv a 6.000 rpm.
O torque máximo -- famoso por levantar a roda dianteira -- é de 6,6 kgfm a 6.550 rpm, demonstrando o caráter bem esportivo do motor, que tem uma estreita faixa útil. Em resumo, sobra força para as arrancadas e potência para altas velocidades. Segundo a fábrica, pode-se chegar a 200 km/h.
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FREIOS E CHASSI
Um motor com esse desempenho pede um projeto ciclístico à altura. Nisso a KTM também não economizou. Pelo contrário, usou do bom e do melhor na construção da 690 SMR. O quadro tubular é fabricado em cromo-molibdênio, as rodas nessa versão "R" são da Marchesini e feitas em liga de alumínio, já as suspensões trazem a marca da holandesa White Power. Na dianteira, um garfo telescópico invertido e, na traseira, a balança também de alumínio usa um monoamortecedor fixado por links. Ambas têm curso 210 mm, revelando a origem off-road dessa e de todas as supermotos.
Na prática, essas especificações técnicas de dar inveja a qualquer piloto profissional resultam em uma moto bastante estável, seja para deitar nas curvas ou torcer o cabo nas retas. Os pneus radiais de desenho esportivo sem câmara garantem a aderência necessária para brincar com essa supermoto austríaca. Aliás, essa KTM 690 SMR é o que se pode chamar de brinquedo de gente grande.
Para parar O conjunto -- que pesa 152 kg sem combustível -- os freios da italiana Brembo são realmente ariscos, justificando as advertências antes de testar essa KTM. Na dianteira, um disco de 320 mm de diâmetro é mordido por uma pinça radial de quatro pistões. Na traseira, um disco de 240 mm com uma pinça de um único pistão. As mangueiras de freio tipo aeroquip evitam a fadiga e explicam em parte a sensação de brutalidade na hora que se acionam os freios. Provando, mais uma vez, que a KTM não economizou para fazer essa supermoto.
DESENHO DIFERENCIADO; PREÇO TAMBÉM
Além dos diversos itens de primeira qualidade, o desenho da KTM 690 SMR a diferencia de outros modelos supermotard existentes. Marcado pelo pára-lama dianteiro bico-de-pato, seu design termina em duas grandes ponteiras de escape, desenvolvidas nos ralis pela KTM. A versão "R", testada, traz ainda quadro na cor laranja para contrastar com a roupagem toda em preto.
Mas tantos atributos dessa supermotard também resultam em preço elevado. Cotada a R$ 43.000, a KTM 690 SMR tem poucas concorrentes diretas no Brasil. No mesmo estilo, mas com motor menos potente, há a Husqvarna SM 610 i.e. vendida a R$ 29.400, sem frete.
(por Arthur Caldeira)