Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Comecei escrevendo o que seria um breve relato, mas acabou virando quase um livro. To até pensando em mandar pra alguma revista hahaha
Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Desde que me entendo por gente, tenho paixão pelas motocicletas e quase tudo que envolve este universo, em especial as motos esportivas e as competições de motovelocidade.
Tive meu primeiro contato com o este mundo da velocidade em 2001, quando fui escolhido para participar do curso teórico ministrado pelo piloto Tinho (Hertz Antunes), da RioRacing, como incentivo a novos pilotos. Naquele momento percebi que um dia estaria dentro da pista, competindo.

Nesta foto, sou o da extrema direita
Em 2003, aos 18 anos, fiz meu primeiro track day com uma CB 500 e posteriormente com uma Yamaha FZ-6 que, apesar de não ser uma esportiva, não fazia feio na pista.
Há cerca de 4 meses atrás, acabei trocando a FZ-6 numa GSXR-1000 2009. Rodei uma vez com ela no autódromo, porém ainda mais lento do que fazia com a FZ-6, apesar de esta ser uma autêntica Superbike, com quase o dobro de potência.

Quando soube desta etapa do Campeonato Estadual de Motovelocidade, decidi participar pelo custo / benefício de poder rodar por 3 dias por R$400,00, enquanto um track day custa, em média, R$250,00 por dia, fora todo o clima que envolve uma corrida oficial.
Fui para o primeiro treino de sexta feira e fiz três baterias de 20 minutos, ainda utilizando os pneus que estavam na moto, de rua e já bem gastos. No primeiro treino de sexta percebi minha moto muito ruim, balançando muito e passando pouco feedback. Fui ajustando as regulagens das suspensões até achar um set-up um pouco melhor. No fim do dia, meu melhor tempo foi 1:27.280, que me deixou satisfeito, visto que meu melhor tempo até então era de 1:28.4, ainda com a FZ-6.
No sábado, enquanto algumas equipes ajustavam a injeção eletrônica, escolhendo mapas diversos, regulavam controle de tração, etc, minha preparação se limitava a colocar fita isolante no farol, lanterna e piscas, retirar os retrovisores, colar os números recortados de papel contact e mais um ajuste nas suspensões. Demorei um tempão até conseguir os cavaletes para poder retirar as rodas da moto e trocar os pneus, me fazendo perder quase toda a primeira bateria de treinos, mas ainda consegui entrar no finalzinho e dar 3 voltas devagar para tirar a cera e aquecer os pneus, mas foi suficiente para perceber que a moto virou outra, muito melhor!
Entrei na pista com os poderosos pneus de corrida e me senti muito bem na moto, nitidamente mais na mão, me dando confiança para deitar e acelerar mais. Saí do treino satisfeito, esperando baixar 1 ou 2 segundos e fazer na casa de 1:25. Quando baixei os dados do GPS para o computador, quase caí pra trás. Minha melhor volta havia sido em 1:21.636, quase 6 segundos mais rápido do que com os pneus anteriores. Saiu então o resultado da cronometragem oficial, marcando 1:21.625, melhor tempo da categoria, seguido de 1:21.9.
No terceiro treino, que seria o classificatório, rodei bem, porém minha melhor volta ficou em 1:22.031 (marcados no GPS), o que não me garantiria a pole, já que outros 3 pilotos estavam rodando no mesmo ritmo. Ao fim do treino, no briefing dos pilotos junto à organização da prova, fomos informados que durante nosso treino classificatório houve um pico de luz na torre de controle e que não foi possível computar os tempos. Foi decidido que o grid de largada seria determinado pelo segundo treino, em que eu havia feito a volta mais rápida. Assim, meu sábado terminou feliz, com meu primeiro treino classificatório da vida já com a Pole Position!
Fui dormir ainda surpreso com o resultado do dia e ansioso pelo dia seguinte. Acordei no meio da madrugada, achando que estava atrasado para a corrida e não consegui dormir mais. Cheguei bem cedo no autódromo e fui surpreendido com a triste notícia da morte de Marco Simoncelli, no GP da Malásia. O clima nos boxes ficou pesado.
Quase na hora do warm-up, reconheci o Pablo Nunes, piloto profissional de Belo Horizonte. Como sabia que ele também rodava com uma GSXR 1000, me apresentei para pedir uns conselhos, os quais me foram muito úteis. Ele sugeriu que eu trocasse o pneu traseiro. Tirei o escorpião do bolso, segui seu conselho e fiz o warm-up com o pneu do dia anterior e coloquei um pneu traseiro novo para a corrida.

Já que o pneu estava novo, fiquei preocupado de largar já no gás, ainda mais com eles frios, já que eu não tenho aquecedores de pneus. Pedi então os cobertores do piloto e colega de trabalho Bruno Caldas emprestado, já que a corrida dele seria bem depois da minha. Coloquei os cobertores 20 minutos antes da corrida e torci para que fossem suficientes.
Hora de ir para a pista, adrenalina a mil... estava prestes a realizar um sonho antigo! Volta de apresentação completa, me posiciono no grid. Acho que minha moto era a que mais chamava a atenção. Não por ser a mais bonita, nem a mais potente ou a que tinha a mais bela “umbrella girl” (não tinha nem a umbrella, muito menos a girl), mas por ser a única totalmente original, com placa, farol, piscas e lanterna, exatamente como saiu da loja. À minha frente, apenas 5 pilotos, todos da categoria Pro, incluindo o Leandro Mello, piloto de testes da Revista Duas Rodas e do programa Auto Esporte da Globo e instrutor do curso Motors Company. Atrás, acredito que tinham mais de 20 motos. Um grid cheio, já que todas as categorias de 600cc para cima largaram juntas.

Luz vermelha acesa, motores roncando forte, coração disparado, percebi a diretora de prova apontando para a minha roda. Até eu entender o que ela queria dizer, que eu estava com a roda da moto sobre linha e que assim queimaria a largada, foram alguns segundos. Quando dei o primeiro passo para trás, puxando a moto, a luz apagou e fui engolido pelo grid, perdendo 8 posições, passando para 14°. Passei a primeira marcha no susto e parti atrás do grupo, fazendo a curva da junção bem por fora, já recuperando umas 4 posições.
Saí à caça do grupo da frente, mas os prós, a essa altura, já estavam bem longe. Eu tinha a estratégia de largar bem, não perder posições e tentar acompanhar o ritmo do piloto que estivesse imediatamente à minha frente. Acreditava que se conseguisse acompanhá-lo pelo menos até umas 5 ou 6 voltas, seria suficiente para ganhar a prova na minha categoria, mas aí foi tudo por água abaixo com essa largada.
Passei mais um ainda na reta oposta e outro na entrada da primeira perna do S, logo após a curva Sul e segui no ritmo do grupo da frente. Na curva 90°, o piloto que estava imediatamente à minha frente escorregou e caiu. Continuei com um ritmo bom, sem perder os ponteiros do meu visual. Nessa altura, vi que estava em 8°. Achei que o piloto que havia caído fosse um dos 5 que largaram na minha frente, então, nas minhas contas, apenas 3 pilotos me separavam da liderança. Cheguei rápido em mais um e fiquei junto dele desde a curva Sul até a curva da Vitória, onde saí bem, com o motor cheio, ultrapassando-o na reta dos boxes. Menos um no caminho...
Agora apenas 2 para a liderança da minha categoria, os quais ainda tinha no visual, apesar de estarem a quase uma reta inteira de distância. Comecei a imprimir um ritmo mais forte. Neste momento, na 5ª volta, marquei a melhor volta da corrida na categoria, com 1:20.650. Consegui chegar no segundo piloto, mas percebi que o primeiro havia conseguido uma boa distância de nós. Fiquei cerca de 3 voltas atrás até que, novamente na curva da Vitória, fiz a tomada mais aberta, para iniciar a aceleração o mais cedo possível. Deu certo e o ultrapassei de forma similar à última ultrapassagem, na reta dos boxes.
Depois de passá-lo mantive uma tocada confortável e, quando percebia o som de sua moto atrás, aumentava um pouco o ritmo, mas sempre em uma zona segura, pois não podia nem pensar em cair. Me forcei a lembrar do meu objetivo principal, que era completar a prova sem me machucar ou estragar a moto.

Algumas voltas depois, minha falta de preparo físico já ficava evidente e as dores nas pernas e ombros me fizeram perder um pouco a concentração. Mais ou menos na décima volta, passei do ponto de frenagem com o qual estava acostumado e quase fui reto, me agarrei nos freios e consegui colocar para dentro da curva, mas fui ultrapassado, voltei acelerando forte e consegui recuperar a posição ainda na reta oposta.
Já estava esgotado. Decidi, então, reduzir um pouco o ritmo para evitar novos erros e guardar as últimas energias para a última volta, onde daria um gás para garantir o que seria, para mim, o segundo lugar na corrida ou para ir atrás, caso fosse ultrapassado. Não fazia idéia de quantas voltas restavam. Passava na reta dos boxes procurando alguma indicação, mas não achava nada. Também não sabia onde meu oponente estava. Já não percebia nenhum outro som a não ser o do vento e o do escapamento aberto da minha moto berrando e, de vez em quando, tentava olhar para trás, mas não via ninguém. Estava torcendo para ver logo alguma placa indicando última volta, mas nada da danada aparecer.

Foi então que fiz a tomada da curva da Vitória bem aberta, para sair fechado e com o motor cheio e fui surpreendido com a moto n° 56, do piloto Alex Pires, ao meu lado, fazendo a curva por dentro. Não fiquei preocupado, pois sabia que podia ultrapassá-lo novamente, mas, quando olhei para frente dando gás total na máquina, vi a bandeira quadriculada tremulando.
Neste momento foi uma mistura de frustração, por ter sido ultrapassado na última curva da última volta, com a felicidade de ter completado minha primeira corrida no pódio, sem nenhum susto ou queda, tendo brigado de igual para igual com pilotos bem mais experientes e com apoio de bons patrocínios e equipe técnica competente, sem nunca ter feito sequer um curso de pilotagem.
Cheguei nos boxes ainda achando que tinha terminado em terceiro, quando recebi a notícia que era o segundo. A frustração foi ainda maior, pois a vitória escorregou das minhas mãos, justamente na curva da Vitória! Perdi a corrida por 0,252 segundos.

Espero poder fazer mais algumas provas no Rio, mas infelizmente os custos deste esporte no Brasil são muito altos para serem bancados sozinho, sem um patrocínio, o que me impede de fazer um campeonato inteiro. Quem sabe algum patrocinador ou equipe não se interesse em apoiar este jovem que, além da paixão pelo esporte, acabou de descobrir que tem talento para a coisa!
http://www.mis.com.br/resultado-novatos-etapa-2.pdf
http://www.mis.com.br/resultado-sport1000-etapa-2.pdf
http://www.mis.com.br/resultado-sport600-etapa-2.pdf
Abraços!!
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Desde que me entendo por gente, tenho paixão pelas motocicletas e quase tudo que envolve este universo, em especial as motos esportivas e as competições de motovelocidade.
Tive meu primeiro contato com o este mundo da velocidade em 2001, quando fui escolhido para participar do curso teórico ministrado pelo piloto Tinho (Hertz Antunes), da RioRacing, como incentivo a novos pilotos. Naquele momento percebi que um dia estaria dentro da pista, competindo.

Nesta foto, sou o da extrema direita
Em 2003, aos 18 anos, fiz meu primeiro track day com uma CB 500 e posteriormente com uma Yamaha FZ-6 que, apesar de não ser uma esportiva, não fazia feio na pista.
Há cerca de 4 meses atrás, acabei trocando a FZ-6 numa GSXR-1000 2009. Rodei uma vez com ela no autódromo, porém ainda mais lento do que fazia com a FZ-6, apesar de esta ser uma autêntica Superbike, com quase o dobro de potência.
Quando soube desta etapa do Campeonato Estadual de Motovelocidade, decidi participar pelo custo / benefício de poder rodar por 3 dias por R$400,00, enquanto um track day custa, em média, R$250,00 por dia, fora todo o clima que envolve uma corrida oficial.
Fui para o primeiro treino de sexta feira e fiz três baterias de 20 minutos, ainda utilizando os pneus que estavam na moto, de rua e já bem gastos. No primeiro treino de sexta percebi minha moto muito ruim, balançando muito e passando pouco feedback. Fui ajustando as regulagens das suspensões até achar um set-up um pouco melhor. No fim do dia, meu melhor tempo foi 1:27.280, que me deixou satisfeito, visto que meu melhor tempo até então era de 1:28.4, ainda com a FZ-6.
No sábado, enquanto algumas equipes ajustavam a injeção eletrônica, escolhendo mapas diversos, regulavam controle de tração, etc, minha preparação se limitava a colocar fita isolante no farol, lanterna e piscas, retirar os retrovisores, colar os números recortados de papel contact e mais um ajuste nas suspensões. Demorei um tempão até conseguir os cavaletes para poder retirar as rodas da moto e trocar os pneus, me fazendo perder quase toda a primeira bateria de treinos, mas ainda consegui entrar no finalzinho e dar 3 voltas devagar para tirar a cera e aquecer os pneus, mas foi suficiente para perceber que a moto virou outra, muito melhor!
Entrei na pista com os poderosos pneus de corrida e me senti muito bem na moto, nitidamente mais na mão, me dando confiança para deitar e acelerar mais. Saí do treino satisfeito, esperando baixar 1 ou 2 segundos e fazer na casa de 1:25. Quando baixei os dados do GPS para o computador, quase caí pra trás. Minha melhor volta havia sido em 1:21.636, quase 6 segundos mais rápido do que com os pneus anteriores. Saiu então o resultado da cronometragem oficial, marcando 1:21.625, melhor tempo da categoria, seguido de 1:21.9.
No terceiro treino, que seria o classificatório, rodei bem, porém minha melhor volta ficou em 1:22.031 (marcados no GPS), o que não me garantiria a pole, já que outros 3 pilotos estavam rodando no mesmo ritmo. Ao fim do treino, no briefing dos pilotos junto à organização da prova, fomos informados que durante nosso treino classificatório houve um pico de luz na torre de controle e que não foi possível computar os tempos. Foi decidido que o grid de largada seria determinado pelo segundo treino, em que eu havia feito a volta mais rápida. Assim, meu sábado terminou feliz, com meu primeiro treino classificatório da vida já com a Pole Position!
Fui dormir ainda surpreso com o resultado do dia e ansioso pelo dia seguinte. Acordei no meio da madrugada, achando que estava atrasado para a corrida e não consegui dormir mais. Cheguei bem cedo no autódromo e fui surpreendido com a triste notícia da morte de Marco Simoncelli, no GP da Malásia. O clima nos boxes ficou pesado.
Quase na hora do warm-up, reconheci o Pablo Nunes, piloto profissional de Belo Horizonte. Como sabia que ele também rodava com uma GSXR 1000, me apresentei para pedir uns conselhos, os quais me foram muito úteis. Ele sugeriu que eu trocasse o pneu traseiro. Tirei o escorpião do bolso, segui seu conselho e fiz o warm-up com o pneu do dia anterior e coloquei um pneu traseiro novo para a corrida.
Já que o pneu estava novo, fiquei preocupado de largar já no gás, ainda mais com eles frios, já que eu não tenho aquecedores de pneus. Pedi então os cobertores do piloto e colega de trabalho Bruno Caldas emprestado, já que a corrida dele seria bem depois da minha. Coloquei os cobertores 20 minutos antes da corrida e torci para que fossem suficientes.
Hora de ir para a pista, adrenalina a mil... estava prestes a realizar um sonho antigo! Volta de apresentação completa, me posiciono no grid. Acho que minha moto era a que mais chamava a atenção. Não por ser a mais bonita, nem a mais potente ou a que tinha a mais bela “umbrella girl” (não tinha nem a umbrella, muito menos a girl), mas por ser a única totalmente original, com placa, farol, piscas e lanterna, exatamente como saiu da loja. À minha frente, apenas 5 pilotos, todos da categoria Pro, incluindo o Leandro Mello, piloto de testes da Revista Duas Rodas e do programa Auto Esporte da Globo e instrutor do curso Motors Company. Atrás, acredito que tinham mais de 20 motos. Um grid cheio, já que todas as categorias de 600cc para cima largaram juntas.
Luz vermelha acesa, motores roncando forte, coração disparado, percebi a diretora de prova apontando para a minha roda. Até eu entender o que ela queria dizer, que eu estava com a roda da moto sobre linha e que assim queimaria a largada, foram alguns segundos. Quando dei o primeiro passo para trás, puxando a moto, a luz apagou e fui engolido pelo grid, perdendo 8 posições, passando para 14°. Passei a primeira marcha no susto e parti atrás do grupo, fazendo a curva da junção bem por fora, já recuperando umas 4 posições.
Saí à caça do grupo da frente, mas os prós, a essa altura, já estavam bem longe. Eu tinha a estratégia de largar bem, não perder posições e tentar acompanhar o ritmo do piloto que estivesse imediatamente à minha frente. Acreditava que se conseguisse acompanhá-lo pelo menos até umas 5 ou 6 voltas, seria suficiente para ganhar a prova na minha categoria, mas aí foi tudo por água abaixo com essa largada.
Passei mais um ainda na reta oposta e outro na entrada da primeira perna do S, logo após a curva Sul e segui no ritmo do grupo da frente. Na curva 90°, o piloto que estava imediatamente à minha frente escorregou e caiu. Continuei com um ritmo bom, sem perder os ponteiros do meu visual. Nessa altura, vi que estava em 8°. Achei que o piloto que havia caído fosse um dos 5 que largaram na minha frente, então, nas minhas contas, apenas 3 pilotos me separavam da liderança. Cheguei rápido em mais um e fiquei junto dele desde a curva Sul até a curva da Vitória, onde saí bem, com o motor cheio, ultrapassando-o na reta dos boxes. Menos um no caminho...
Agora apenas 2 para a liderança da minha categoria, os quais ainda tinha no visual, apesar de estarem a quase uma reta inteira de distância. Comecei a imprimir um ritmo mais forte. Neste momento, na 5ª volta, marquei a melhor volta da corrida na categoria, com 1:20.650. Consegui chegar no segundo piloto, mas percebi que o primeiro havia conseguido uma boa distância de nós. Fiquei cerca de 3 voltas atrás até que, novamente na curva da Vitória, fiz a tomada mais aberta, para iniciar a aceleração o mais cedo possível. Deu certo e o ultrapassei de forma similar à última ultrapassagem, na reta dos boxes.
Depois de passá-lo mantive uma tocada confortável e, quando percebia o som de sua moto atrás, aumentava um pouco o ritmo, mas sempre em uma zona segura, pois não podia nem pensar em cair. Me forcei a lembrar do meu objetivo principal, que era completar a prova sem me machucar ou estragar a moto.

Algumas voltas depois, minha falta de preparo físico já ficava evidente e as dores nas pernas e ombros me fizeram perder um pouco a concentração. Mais ou menos na décima volta, passei do ponto de frenagem com o qual estava acostumado e quase fui reto, me agarrei nos freios e consegui colocar para dentro da curva, mas fui ultrapassado, voltei acelerando forte e consegui recuperar a posição ainda na reta oposta.
Já estava esgotado. Decidi, então, reduzir um pouco o ritmo para evitar novos erros e guardar as últimas energias para a última volta, onde daria um gás para garantir o que seria, para mim, o segundo lugar na corrida ou para ir atrás, caso fosse ultrapassado. Não fazia idéia de quantas voltas restavam. Passava na reta dos boxes procurando alguma indicação, mas não achava nada. Também não sabia onde meu oponente estava. Já não percebia nenhum outro som a não ser o do vento e o do escapamento aberto da minha moto berrando e, de vez em quando, tentava olhar para trás, mas não via ninguém. Estava torcendo para ver logo alguma placa indicando última volta, mas nada da danada aparecer.

Foi então que fiz a tomada da curva da Vitória bem aberta, para sair fechado e com o motor cheio e fui surpreendido com a moto n° 56, do piloto Alex Pires, ao meu lado, fazendo a curva por dentro. Não fiquei preocupado, pois sabia que podia ultrapassá-lo novamente, mas, quando olhei para frente dando gás total na máquina, vi a bandeira quadriculada tremulando.
Neste momento foi uma mistura de frustração, por ter sido ultrapassado na última curva da última volta, com a felicidade de ter completado minha primeira corrida no pódio, sem nenhum susto ou queda, tendo brigado de igual para igual com pilotos bem mais experientes e com apoio de bons patrocínios e equipe técnica competente, sem nunca ter feito sequer um curso de pilotagem.
Cheguei nos boxes ainda achando que tinha terminado em terceiro, quando recebi a notícia que era o segundo. A frustração foi ainda maior, pois a vitória escorregou das minhas mãos, justamente na curva da Vitória! Perdi a corrida por 0,252 segundos.

Espero poder fazer mais algumas provas no Rio, mas infelizmente os custos deste esporte no Brasil são muito altos para serem bancados sozinho, sem um patrocínio, o que me impede de fazer um campeonato inteiro. Quem sabe algum patrocinador ou equipe não se interesse em apoiar este jovem que, além da paixão pelo esporte, acabou de descobrir que tem talento para a coisa!
http://www.mis.com.br/resultado-novatos-etapa-2.pdf
http://www.mis.com.br/resultado-sport1000-etapa-2.pdf
http://www.mis.com.br/resultado-sport600-etapa-2.pdf
Abraços!!
Editado pela última vez por Marchon em 25 Out 2011, 14:33, em um total de 2 vezes.
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Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
"É fazendo merdas que adubamos a história de nossa existência"
já fui jaspion, já fui kamikaze...hoje me considero um sobrevivente!
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Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Putz, que relato legal! Publica em algum lugar, é muito bacana!
"O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros"
M. Thatcher
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Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Fala Marchon!!!
Parabéns, vc merece sempre gostou e se esforçou para estar dentro de uma pista, tenho a mesma vontade, o que me faltou e falta é tempo e apoio e agora a idade tb está chegando, fico feliz por vc, andar forte de Srad 1000 tem que ter braço, estou de R6 e em algum trackday desse vou colocar ela na pista
Abraços!!!
Parabéns, vc merece sempre gostou e se esforçou para estar dentro de uma pista, tenho a mesma vontade, o que me faltou e falta é tempo e apoio e agora a idade tb está chegando, fico feliz por vc, andar forte de Srad 1000 tem que ter braço, estou de R6 e em algum trackday desse vou colocar ela na pista
Abraços!!!
Motociclista, respeite a vida use capacete
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Boa, Marchon, já faz tempo que tu tem andado no autódromo e aprimorado a técnica.
Parabéns pela iniciativa, e parabéns pelo resultado. Agora o trabalho é correr atrás de um patrocínio ou pelo menos uma ajuda de custo. Vi que tu tinha postado sobre a corrida, mas fiquei fora de Niterói neste fim de semana. Se tiver outra, vou fazer força para ir ver a corrida.
Enorme abraço e vai atrás do que tu gosta, tu merece.
Parabéns pela iniciativa, e parabéns pelo resultado. Agora o trabalho é correr atrás de um patrocínio ou pelo menos uma ajuda de custo. Vi que tu tinha postado sobre a corrida, mas fiquei fora de Niterói neste fim de semana. Se tiver outra, vou fazer força para ir ver a corrida.
Enorme abraço e vai atrás do que tu gosta, tu merece.
"Aqui a criança chora e a mãe vira de costas"
B12S
B12S
Russo escreveu:Mas é isso ai... no motociclismo há espaço para todos, para os que gostam de tecnologia, pros que curtem velharia e até para os babacas caras que não conseguem perceber isso, eheheheh ...
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Grande Marchon....
Parabens camarada...
Confesso que sempre me preocupei com voce, nao sei se lembra, mas quando te conheci tinha acabado de destruir uma cb500 no muro da Froes, acho que 2001 e se nao me engano nem 18 vc tinha ainda... hehehe
Hoje leio esse relato de realizacao e vitoria....
Show de bola garoto... e é isso ai, pe no chao e cabeca nos sonhos....
parabens mais uma vez...
Parabens camarada...
Confesso que sempre me preocupei com voce, nao sei se lembra, mas quando te conheci tinha acabado de destruir uma cb500 no muro da Froes, acho que 2001 e se nao me engano nem 18 vc tinha ainda... hehehe
Hoje leio esse relato de realizacao e vitoria....
Show de bola garoto... e é isso ai, pe no chao e cabeca nos sonhos....
parabens mais uma vez...
Editado pela última vez por Rubens em 25 Out 2011, 08:47, em um total de 1 vez.
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
SENSACIONAL!!!!!
Relato bem detalhado, dá pra "sentir" exatamente o que você passou! Nota 1000!
E parabéns! Primeiro pela participação e segundo pelo excelente resultado!
Ser ultrapassado na última volta, na última curva, é coisa de corrida. Isso é bom para aprendermos que corrida só acaba quando vc receber a bandeirada. Até lá, é pau na máquina e não devemos relaxar.
Pelo jeito foi sua primeira corrida, mas vc já vinha treinando bem. Isso é o mais importante, treinar e manter o preparo em dia (duas coisas que eu não consigo fazer rsrsrs). Se com a "dor de barriga" da primeira corrida vc já foi o segundo (quase primeiro), na próxima vc vai sobrar!
Boa sorte e continue firme no propósito!
Eu tenho vontade de andar em autódromo, mas sou tão bração que acho que levaria uns 5 anos treinando pra começar a entender como funciona! rsrsrs
Relato bem detalhado, dá pra "sentir" exatamente o que você passou! Nota 1000!
E parabéns! Primeiro pela participação e segundo pelo excelente resultado!
Ser ultrapassado na última volta, na última curva, é coisa de corrida. Isso é bom para aprendermos que corrida só acaba quando vc receber a bandeirada. Até lá, é pau na máquina e não devemos relaxar.
Pelo jeito foi sua primeira corrida, mas vc já vinha treinando bem. Isso é o mais importante, treinar e manter o preparo em dia (duas coisas que eu não consigo fazer rsrsrs). Se com a "dor de barriga" da primeira corrida vc já foi o segundo (quase primeiro), na próxima vc vai sobrar!
Boa sorte e continue firme no propósito!
Eu tenho vontade de andar em autódromo, mas sou tão bração que acho que levaria uns 5 anos treinando pra começar a entender como funciona! rsrsrs
- wcarlete
- Motoqueiro
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- Registrado em: 02 Ago 2008, 11:55
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Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Caraca viu lendo seu relato e imaginando a cena, meus parabens.
Depois de uma largada não muito boa, manter em primeiro e chegar em segundo, esta de parabens mesmo.

Depois de uma largada não muito boa, manter em primeiro e chegar em segundo, esta de parabens mesmo.
Saudades: Biz 100 - CG 125 - CG150 Sport - Twister - ER-6 10/10 :(
Hoje: YBR 06/06
Hoje: YBR 06/06
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Marchon, fico muito feliz de ler esse relato. Parabéns cara !!! Vc merece !!! Não desista, tu tem habilidade suficiente, faça contatos, uma hora aparece alguém pra te patrocinar. Boto fé !!
Ví o seu convite pra corrida, mas foi muito em cima. Tava voltando do RJ aqui pra casa. Na próxima tenta falar uns 2 dias antes pelo menos, que faço questão de ir pra te dar os parabéns pessoalmente.
Grande abraço!
Ví o seu convite pra corrida, mas foi muito em cima. Tava voltando do RJ aqui pra casa. Na próxima tenta falar uns 2 dias antes pelo menos, que faço questão de ir pra te dar os parabéns pessoalmente.
Grande abraço!
-
Jota
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
parabéns, marchon. emocionante o relato.
pq o m@d-rj não faz uma vaquinha e ajuda o cabra aí?
cambada de carioca pão duro e safado, se fosse em minas ele já teria patrocínio dos colegas.
pq o m@d-rj não faz uma vaquinha e ajuda o cabra aí?
cambada de carioca pão duro e safado, se fosse em minas ele já teria patrocínio dos colegas.
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Cara, parabéns! Me senti dentro dos boxes e no muro da reta, eheheheh...
Ando Brinco de andar de kart e já tive uma vitória que escapou pelos dedos. A diferença é que fui quase ganhar só lá pela 15ª corrida, eheheh... Faz parte do jogo. É frustrante, sim, mas vale o aprendizado. Você acaba enxergando onde acertou e onde errou, busca soluções e aperfeiçoamento.
E pode ter certeza que os caras que ficaram de 3º pra trás ficaram mais putos/frustrados que você, ao ver uma moto com placa e carenagem "de fábrica" chegar na frente, eheheheh...
Boa sorte pra conseguir um apoio nas próximas oportunidades!
Ando Brinco de andar de kart e já tive uma vitória que escapou pelos dedos. A diferença é que fui quase ganhar só lá pela 15ª corrida, eheheh... Faz parte do jogo. É frustrante, sim, mas vale o aprendizado. Você acaba enxergando onde acertou e onde errou, busca soluções e aperfeiçoamento.
E pode ter certeza que os caras que ficaram de 3º pra trás ficaram mais putos/frustrados que você, ao ver uma moto com placa e carenagem "de fábrica" chegar na frente, eheheheh...
Boa sorte pra conseguir um apoio nas próximas oportunidades!
A culpa é minha e eu coloco ela em quem eu quiser!
DT200 *09/2002 - †12/2004
GS500 *12/2004 - †08/2005
CBX200 *08/2005 - †04/2010
YS250 *05/2009 - †07/2012
GS500 *07/2012 ...
Link para o pombo gigante
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GS500 *07/2012 ...
Link para o pombo gigante
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Cara, muito bom seu relato!!!
Te desejo sorte e com certeza um patrocínio.
Gostaria de ter visto essa corrida!
Parabéns!
Abraço!
Te desejo sorte e com certeza um patrocínio.
Gostaria de ter visto essa corrida!
Parabéns!
Abraço!
Kawasaki ZX10RR 2018 Preta
Yamaha Fazer 150 SED 2014 Branca
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Suzuki Yes 125 2009 Azul
Yamaha RD350R 1991 Marlboro
Honda NX 150 1990 Vermelha
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Se ele continuar andando bem assim, com certeza daqui a pouco pinta um patrocínio, nem que seja apenas para pagar inscrições e pneus, por exemplo. Fiquei admirado com a primeira corrida do cabra. Sei que tá treinando tem tempo, que é um autódromo que ele já conhece, mas corrida é corrida, é foda de segurar a ansiedade, correr sem errar (muito), recuperar de uma largada mal feita, enfim, nota 1000!
Esporte a motor é caro mesmo. Eu ando no off-road, corridas bem meia-boca, e já gasto uma nota. Certamente para andar em autódromo o custo é ainda mais alto!
Domingo agora eu e o MarcusDT vamos participar de uma corrida muito boa, organização excelente, de Enduro FIM! Mas, certamente irrei lá só pra passar vergonha mesmo! hauahauahauah O MarcusDT talvez leve um trofeuzinho!
Muito bom ver a galera saindo dos teclados e andando pra valer nas corridas.
Esporte a motor é caro mesmo. Eu ando no off-road, corridas bem meia-boca, e já gasto uma nota. Certamente para andar em autódromo o custo é ainda mais alto!
Domingo agora eu e o MarcusDT vamos participar de uma corrida muito boa, organização excelente, de Enduro FIM! Mas, certamente irrei lá só pra passar vergonha mesmo! hauahauahauah O MarcusDT talvez leve um trofeuzinho!
Muito bom ver a galera saindo dos teclados e andando pra valer nas corridas.
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Show de bola! Parabéns!
Abraço,
Abraço,
Daniel.
Lander 2008-"Mula Marchadeira, mãe Mangalarga"
Síntese das assinaturas do M@D:
"Sou mais motociclista ["sábio"/"melhor"] do que você e tenho muito orgulho da minha humildade".
Perturbando giroscópios desde 1997. Perturbando você desde sua permissão.
Lander 2008-"Mula Marchadeira, mãe Mangalarga"
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"Sou mais motociclista ["sábio"/"melhor"] do que você e tenho muito orgulho da minha humildade".
Perturbando giroscópios desde 1997. Perturbando você desde sua permissão.
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Parabéns cara, show o seu relato. Se na 1a prova vc já mandou bem assim, pode apostar que vc tem futuro. Sobre a ultrapassagem no final, relax, acontece. Às vezes é até bom não começar ganhando fácil, senão acostuma mal hehe.
Tiger 800 XC Triple Purpose
- Beto
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- Registrado em: 24 Dez 2007, 16:16
- Localização: Rosto de Cristo, em Marte
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Marchon está de parabéns, principalmente por ter sido um dia difícil para os amantes da motovelocidade.
O relato foi excelente e creio que já é hora de abrir um espaço específico no M@D somente para tratar de competições, onde este e outros relatos poderiam servir de apoio aos pedidos de patrocínios.
Fica a sugestão depois de ter lido tão brilhante aventura.
Abs
O relato foi excelente e creio que já é hora de abrir um espaço específico no M@D somente para tratar de competições, onde este e outros relatos poderiam servir de apoio aos pedidos de patrocínios.
Fica a sugestão depois de ter lido tão brilhante aventura.
Abs
"Cavalheiros, a vida é muito curta...Se nós vivemos, vivemos para andar sobre a cabeça dos reis." (Willian Shakespeare)


- Optimus Leo
- Mito
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- Localização: Capital do grau e corte
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
E melhor ser um corredor por 5 minutos, do que um espectador por toda uma vida.

E melhor ser um corredor por 5 minutos, do que um espectador por toda uma vida.
Frizione a secco / Amici del bicilindrico
"Without RACING, there is no HONDA" Soichiro Honda
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Nina escreveu: acho que deveria ser criado um outro FOL. os fãs do optimus leo.
Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
Parabéns!!
Relato muito realista..............me senti no autódromo.
Segue firme nos teu objetivos!!.
Abraço
Relato muito realista..............me senti no autódromo.
Segue firme nos teu objetivos!!.
Abraço
CBR 450sr-século passado
NX400 Falcon-07/08, B65S-08/09
Já é passado.......Zoiúda: F800gs 12/13.
Atual........ V-Strom 1000, 2015
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Helder.soares
- Dinossauro
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- Registrado em: 09 Jul 2009, 10:10
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Re: Estréia nas pistas de corrida... e que estréia!
lendo esse relato, me senti ao seu lado, dentro dos boxes...
parabéns pela coragem...
fico aqui na torcida...
e se vier correr em interlagos, avise a gente...
parabéns pela coragem...
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"É fazendo merdas que adubamos a história de nossa existência"
já fui jaspion, já fui kamikaze...hoje me considero um sobrevivente!
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